terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ser idiota é ser feliz!



( Dedicado a uma amiga mais que especial que me ajudou com pequenas palavras, mas que fizeram total diferença. Não estou dizendo que você seja idiota, pelo contrário, você aturou – confesso que com muita maestria - todas as minhas idiotices. Obrigado por tudo, B! )

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“Dizem que sou louco por pensar assim.
Sim, sou muito louco por eu ser feliz,
mas louco é quem me diz que não é feliz...”
( Os mutantes – “ Balada do louco ” )
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“A loucura do dia a dia é essencial pra felicidade”. Muitos me chamam de louco por pensar dessa forma, mas eu pergunto: Por que a loucura não seria vital pra felicidade? Como disse uma grande amiga minha uma vez: “O que seria dos dias bons se não tivéssemos os ruins para perceber a diferença?”. Bom, pelo menos eu concordo com isso. Rir de tudo e de todos é legal, é como ser um idiota em tempo integral, mas não tô dizendo pra sair por aí rindo feito um maluco, aí já é coisa de retardado. Dar aquela topada na quina da cama bem no momento que você acorda já é o suficiente pra fazer com seu dia seja horrível, mas tente pensar em coisas boas ao invés de xingar. Tente dar um sorriso no trabalho quando o seu chefe chato te encher o saco com aquela história de “Cadê o relatório?”, “Por que você atrasou uns 10 minutos?”, “Onde tá o café que eu pedi há uns 5 minutos?”... dá vontade de matá-lo, eu sei, mas ao invés disso tente dar um sorriso, respirar fundo e fazer aquela cara de idiota que você sempre faz quando acontecem coisas boas. Se estiver preso no trânsito, tente não ofender aquele motobói desgraçado que quase arrancou o espelho do seu carro na hora em que passou no corredor, evite qualquer tipo de discussão com o cara que tá falando ao celular quando tinha que prestar atenção na pista ou até mesmo com aquele cara que fica buzinando atrás de você feito um maluco. Pense em outra coisa, saia do seu corpo, faça uma viagem astral... ignore todo e qualquer tipo de estresse. Eu sei que é quase impossível ter paciência de Buda nessas horas, mas acalme-se, quanto mais você ficar estressado, mais velho ficarás! Meu pai sempre me dizia que quanto mais a gente se estressa, mais envelhece... sempre levei a sério o que ele falava, nunca ousei contrariar os ensinamentos que me foram dados por ele. Hoje em dia eu sou assim: um ser calmo até demais, talvez eu até seja idiota por completo. Claro que me emputeço com as coisas, mas tento relaxar, tomo um vinho e espero o bode passar. Quando vejo, a paz já foi restaurada! Falar é fácil, eu sei, só que mais fácil ainda é fazer com que tudo fique bem. É a lei da “Ação e Reação” aplicada no nosso dia a dia. O que você faz de bom no dia volta, pra você; é a mesma história do “Você colhe o que você planta...” Não é difícil, vamos lá, tente pelo menos uma vez ser um idiota!
Já me acontecerem muitas coisas que poderiam me fazer ficar maluco de raiva, mas eu sempre tenho a mente no lugar, respiro fundo e penso em soluções eficazes. Já me aconteceu de escapar da morte no engarrafamento em uma tarde de inundação e, ao chegar em casa, encontrar a torneira perfeitamente seca. Já tentei me divertir, indo pra boates á noite, mas no fim o que encontrei foram brigas, cadeiras esvoaçantes e garrafas que se partiam docemente nas cabeças dos fiéis em torno. Desisti de sair e, quando eu ficava em casa, acabava a energia elétrica! Mas nem por isso eu me descabelei, não me desesperei, não gritei feito doido – embora a vontade fosse enorme, confesso – eu sempre mantive a cabeça no lugar. Acho que todos deveriam fazer isso, se a vida está bem não há motivos para desespero.
Eu digo e repito: sorria de tudo e de todos, seja um idiota em tempo integral, ria até de suas próprias piadas, ainda que você tenha seus problemas, suas encrencas, covardias, dúvidas, seus medos. Sorria, pois esse é o melhor remédio!
Não tem problemas nenhum? Sua vida está ótima? Melhor ainda! Você é o idiota mais bem-sucedido da face da terra! Você já tem tudo de bom, já é feliz, então pode ignorar tudo o que foi dito nesse texto - que não tem nada a ver com Auto-ajuda. Ou se quiser, passe pra um amigo que esteja precisando dessas palavras que foram ditas. Afinal, temos que fazer mais pessoas idiotas nesse mundo.
Não sou um ser amargurado ou triste, pelo contrário: eu sou mais um idiota nesse mundo. Seja um idiota você também, afinal, ser idiota é ser feliz!

( Bruno Stevan )

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Era uma vez...

Era uma vez...

Um homem que gostava de uma mulher, mas não gostava de qualquer forma, não... gostava como um forte bicho gosta. Gostava do seu cheiro, dos seus pêlos, da sua pele, seus cabelos, de como seus corpos se ajustavam e encaixavam perfeitamente, gostava de como ela se entregava de uma tal forma que se esquecia de tudo e de todos e de como ela dormia junto dele como um jovem bicho querendo proteção. Ele vigiava o seu sono e alimentava suas fantasias que não tinha coragem de falar ou nomear, pois ainda era um jovem macho com escrúpulos. Talvez ela fosse um brinquedo, mas era um brinquedo bom.
Era uma vez uma mulher que gostava de um homem. Gostava como um jovem bicho recém foragido de um cativeiro ou de uma armadilha mortal gosta de um bicho mais novo, mais forte, mais experiente e confiante. Sem marcas ou cicatrizes que a vida insiste em nos deixar. Gostava da maneira de como ele tomava todas as curvas do seu corpo e não deixava espaços para lembranças ruins ou triste, gostava de como ele conseguia mantê-la, sem deixar cair em monotonia, num círculo de prazer, calor, prazer, segurança, prazer, riso, prazer, amor, prazer...Talvez ele fosse uma trégua, mas era um trégua boa.

Era uma vez um homem e uma mulher que se perderam um do outro. Sem explicações, sem palavras, sem despedidas, sem beijos. Ninguém sabe, ninguém viu. Brinquedo quebrado. Fim da trégua.

Era uma vez um homem e uma mulher que se reencontraram. Ela o reconheceu pelos olhos que ainda tinham as chamas do jovem macho astuto e confiante. Ele a reconheceu pelo cheiro de sua pele que lembrava as fantasias, mas... pouco sabiam um do outro. Não se reconheciam mais. No entanto, ela ainda ria dele, para ele, com ele.
Desprezavam regras que seus pares seguiam por saúde, velhice ou convenção.
Era uma vez um homem e uma mulher. Suas dúvidas, seus medos, seus desejos, seus beijos, seus beijos, seus beijos, seus beijos...

Frida e O Salto ( A voz do vento )

" Frida e o salto ( A voz do vento ) "

"Preste atenção ao que eles dizem:
' Ter esperança é hipocrisia, a felicidade é uma mentira
E a mentira é salvação. '
Beba desse sangue imundo e você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo, somos os animais na jaula,
Mas você só quer algodão doce..."
( Legião Urbana - "Natália" )



Ouve-se a terrível voz do vento...

Ventava forte naquela noite e a terrível voz do vento incriminava todos os culpados, fazia com que eles admitissem sua culpa e escondessem o seus rostos entre as mãos. Os olhos de todos os oprimidos se arregalavam e choravam copiosamente, procuravam, em vão, a liberdade, a fuga de todo o pesadelo que viveram durante anos. Diante daquela voz do vento, todos se arrependiam dos seus pecados, ouvia-se gritos, uivos, grunhidos... como só do inferno pode se ouvir, gritos que vinham da garganta dos condenados e dos que condenaram injustamente.
Ouvia-se passos firmes pelos corredores vazios; todos sentiam-se espionados por olhos invisíveis, calafrios desde os pés até o último fio de cabelo... tudo por causa da terrível voz do vento.

Frida, assustada, olhava para todos os lados, todos os cantos de seu escuro camarim a procura de um vulto que tinha visto há muito pouco tempo. Perdera alguém muito querido há alguns meses e nunca tinha superado essa rasteira da vida. Sempre se lamentava e dizia que a vida foi injusta e cruel. Antes de perder o amor de sua vida ela era uma linda mulher, sempre feliz com a vida e satisfeita com tudo, pois tinha alguém para amar e sabia que era amada. Agora se tornou uma mulher amarga, solitária, insatisfeita. Sua pele é pálida como a neve, como o rosto descolorido dos leprosos. Pra tentar disfarçar isso ela se maquiava, olhava no espelho e não via nada mais do que a imagem de um cadáver feminino com pinceladas de seu próprio sangue em seu rosto. Era magra e tinha vergonha de seu próprio corpo na hora do banho, evitava olhar para o espelho para não ver os seios tristes, para não olhar para o seu corpo de boneca mal tratada. Foi se acabando com tempo mergulhando em vícios: bebia e fumava muito, tentava se matar aos poucos já que não tinha pressa pra morrer. Nasceu em uma cidade pobre e foi abandonada pelos pais ainda bebê, um casal que trabalhava em um circo na cidade a encontrou na mesma noite em um beco. Escapou da morte naquele dia, mas até hoje não sabe se isso foi azar ou sorte. Viveu sua vida toda no circo, foi educada, ajudava os seus pais e, com seus 16 anos, virou trapezista do circo. Com seus 20 anos de idade perdeu os seus pais num terrível atropelamento na rua, maldito motorista do ônibus que não viu o carro em sua frente, perdeu o controle e atropelou os seus pais. Muito jovem e triste, teve que assumir a responsabilidade do circo, pois era o sonho dos seus pais e não queria deixá-lo morrer juntos com eles.
Numa tarde, quando ela estava sentada perto das jaulas dos animais, um rapaz se aproximou e perguntou o porque de sua tristeza, ela nunca o tinha visto antes, mas parecia que já o conhecia há muito tempo. Ela começou a contar toda a sua hsitória e o rapaz fez o mesmo. Começaram a simpatizar um com o outro, trocaram olhares e finalmente o beijo aconteceu. Finalmente ela tinha um motivo pra ser feliz novamente e seguir a sua vida sem muita dor. Ficaram juntos por dois anos e planejaram se casar, então começaram a fazer os planos para o casamento, onde seria a festa, como seria o bolo, em que lugar realizariam a cerimônia. Tudo foi lindo por mais dois anos de sua vida ao lado do seu ser amado. Certa noite quando Frida estava indo para o circo, viu o amor de sua vida atravessando a rua com um sorriso ao lhe ver, trazia-lhe flores e dizia que a amava em voz baixa, mas não viu quando dois rapazes se aproximaram tentando assaltá-lo e, ao reagir, levou 4 tiros e morreu ali mesmo. Frida ficou paralizada, queria acordar daquele pesadelo real, não sabia o que fazer naquele momento... apenas assistia tudo em silêncio. Até que num tranco, foi puxada de volta para o seu corpo e desabou em lágrimas, pois sabia que ali, junto com seu amado, também foi embora a sua vida.
Depois do ocorrido, Frida não tinha mais esperanças, fazia seus números no circo mais por obrigação do que por amor ao ofício, vivia bebendo e fumava sem parar, acabava com o seu corpo aos poucos, pois sua alma se foi repentinamente. Fazia sempre a mesma coisa toda noite quando ia para o camarim, olhava com nojo para a sua cara no espelho, nem ela se reconhecia, sabia que nem mesmo era mulher, era apenas um pedaço de carne com seios vazios e dilatados de dor... sem nenhum coração para preenchê-los. Um dos organizadores do evento no circo disse que sua hora estava chegando, que os espectadores estavam ansiosos para vê-la e pediu para que ela se aprontasse logo. Assim que ela entrou no picadeiro sentiu que tudo estava bem diferente de tudo o que ela viveu antes, via que os sorrisos dos espectadores estavam diferentes, que todos a olhavam de uma forma estranha com aquele olhar de pena e compaixão que sempre odiou. Entre aplausos e sorrisos, Frida subiu no trapézio e foi subindo mais, bem mais alto do que todos acostumavam vê-la em suas apresentações, e foi quando ficou acima das luzes do picadeiro. Ela via todos lá embaixo como pequenos pontos insignificantes e desprezava toda aquela alegria e alvorosso. Seus pés, besuntados de cera, encerravam a união que tinha entre o solo e o céu. De longe, suas vestes brancas podiam confundí-la com um anjo, mas ela não aceitava esse título para não diminuir o perigo de seus saltos. Observando todos lá embaixo, ela queria achar um lugar vazio, onde não teria ninguém para atrapalhar seu último salto. Desligou-se do mundo... sentia o seu coração bater mais devagar, sua mente estava vazia, seus olhos tristes olhavam fixos para o nada e, de repente, viu toda a sua vida passar diante de seus olhos e viu todas as perdas significativas que teve em sua vida, sabia que não tinha mais nenhum motivo para permanecer ali.
Quando voltou para o seu corpo, sentiu-se sufocada por estar nesse mundo e quanto mais ela tentava esquecer toda essa loucura, mais louca ela ficava. Foi quando todos menos esperavam, Frida lançou-se de encontro ao solo como um anjo decaído que despenca dos céus, ela ouvia os gritos desesperados de todos e sentiu-se aliviada porque ali, fazendo o que sempre fez, estava pra acabar toda essa loucura que ela chamava irônicamente de vida. Quanto mais se aproximava do solo, mais ela sorria, foi se aproximando mais e mais e... até que não viu e nem sentiu mais nada. Fim da loucura.
Ventava forte naquela noite e Frida estava morta aos olhos dos espectadores que, assustados, não falavam nada. Um silêncio mortal tomou conta do lugar, todos ficaram calados, a música parou.
Nada ouvia-se naquele lugar, a não ser a terrível voz do vento.