quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Era uma vez...

Era uma vez...

Um homem que gostava de uma mulher, mas não gostava de qualquer forma, não... gostava como um forte bicho gosta. Gostava do seu cheiro, dos seus pêlos, da sua pele, seus cabelos, de como seus corpos se ajustavam e encaixavam perfeitamente, gostava de como ela se entregava de uma tal forma que se esquecia de tudo e de todos e de como ela dormia junto dele como um jovem bicho querendo proteção. Ele vigiava o seu sono e alimentava suas fantasias que não tinha coragem de falar ou nomear, pois ainda era um jovem macho com escrúpulos. Talvez ela fosse um brinquedo, mas era um brinquedo bom.
Era uma vez uma mulher que gostava de um homem. Gostava como um jovem bicho recém foragido de um cativeiro ou de uma armadilha mortal gosta de um bicho mais novo, mais forte, mais experiente e confiante. Sem marcas ou cicatrizes que a vida insiste em nos deixar. Gostava da maneira de como ele tomava todas as curvas do seu corpo e não deixava espaços para lembranças ruins ou triste, gostava de como ele conseguia mantê-la, sem deixar cair em monotonia, num círculo de prazer, calor, prazer, segurança, prazer, riso, prazer, amor, prazer...Talvez ele fosse uma trégua, mas era um trégua boa.

Era uma vez um homem e uma mulher que se perderam um do outro. Sem explicações, sem palavras, sem despedidas, sem beijos. Ninguém sabe, ninguém viu. Brinquedo quebrado. Fim da trégua.

Era uma vez um homem e uma mulher que se reencontraram. Ela o reconheceu pelos olhos que ainda tinham as chamas do jovem macho astuto e confiante. Ele a reconheceu pelo cheiro de sua pele que lembrava as fantasias, mas... pouco sabiam um do outro. Não se reconheciam mais. No entanto, ela ainda ria dele, para ele, com ele.
Desprezavam regras que seus pares seguiam por saúde, velhice ou convenção.
Era uma vez um homem e uma mulher. Suas dúvidas, seus medos, seus desejos, seus beijos, seus beijos, seus beijos, seus beijos...

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